Como é jogar Final Fantasy XVI no Xbox Series X

Em 2023, a Square Enix lançou Final Fantasy XVI para o PlayStation 5 e algum tempo depois, o jogo chegou aos computadores. Agora, em junho de 2025, foi a vez dos consoles Xbox Series X/S receberem o jogo mais distinto entre os títulos numerados de Final Fantasy. A produtora me mandou uma cópia do game e assim, decidi que era hora de jogar Final Fantasy XVI no Xbox Series X.

Foi uma experiência e tanto, pois o jogo me fascinou quando chegou ao PS5 com seu visual e cenas incríveis, enredo inspirado em Game of Thrones e uma abordagem diferente para os Summons e muito da própria mitologia da franquia, além de alguns dos melhores personagens da série que popularizou os RPGs japoneses deste lado do mundo. Eu adorei como o game abraçou a ação ainda mais do que seu antecessor, mas sei que esse foi um ponto bastante divisivo entre os fãs.

O jogo volta para as raízes da fantasia medieval, deixando para trás a road trip do game anterior, mas traz sua própria leitura de elementos clássicos de Final Fantasy: Summons (aqui são Eikons), monstros típicos aparecem em novas e perigosas variações, chocobos estão presentes como montarias de cavaleiros, e os cristais mágicos são peça central na trama de guerra e conspirações que movimenta o mundo por trás da aventura. Assista ao trailer de lançamento da versão Xbox:

Ambientado em Ivalice (o mesmo mundo de Vagrant Story, Final Fantasy Tactics, Final Fantasy XII e seu spin-off, Revenant Wings,e do popular MMORPG Final Fantasy XIV), o jogo acompanha o destino trágico dos príncipes de Rosária, Clive e Joshua Rosfield. Nessa era, os cristais mágicos são o mais valioso recurso natural de Ivalice e reinos guerreiam pelo seu controle. Toda a vida e tecnologia dos reinos é derivada do uso de magia – usada não só na guerra, mas também para atividades cotidianas das mais triviais, como aquecer água ou acender um cigarro.

Um detalhe importante neste cenário é que aqueles capazes de manipular a magia não são necessariamente vistos como pessoas poderosas mas sim, marcadas para a servidão cuidando dessas pequenas tarefas. Clive é um deles, treinado a vida toda para ser o escudeiro do irmão mais novo, Joshua, pois o pequeno príncipe é capaz de invocar o Eikon Phoenix, defensor de sua família e do seu reino. Joshua é um Dominante, destinado a ser um líder importante… se chegar até a idade adulta.

Não vou dar mais detalhes da história, mas é bom saber antes de jogar Final Fantasy XVI que o game é muito inspirado em Game of Thrones, ou seja, tudo o que pode dar errado na vida desses garotos, vai dar errado. É facilmente o jogo mais ocidentalizado da franquia e você pode esperar por muitos momentos que farão você pensar que já viu isso antes. Chega a ser um pouco cômico em alguns momentos: toda decisão importante na trama parece ser decidida na cama. A impressão que fica é que os roteiristas maratonaram a série da HBO, anotaram os elementos mais recorrentes e decidiram que “é esse tipo de fantasia que os ocidentais gostam agora”, bateram no liquidificador com muitos elementos de Final Fantasy e o resultado é este jogo fascinante, mas meio esquisito aqui e ali.

Combate acelerado e outras mecânicas

Jogar Final Fantasy XVI é muito mais próximo de um jogo de ação hack'n'slash do que de um RPG tradicional da Square Enix.
Clive é um guerreir habilidoso tanto com a espada quanto com a magia.

Em Final Fantasy XVI você não controla um grupo de personagens, apenas Clive Rosfield. Há aliados recorrentes e ocasionais, e você pode dar comandos para eles, mas não é a mesma coisa que nos jogos por turno ou mesmo no sistema ATB de alguns outros títulos da franquia. Final Fantasy XVI é um jogo de ação, com um sistema de combos dignos de um Devil May Cry. A batalha contra Garuda é, para mim, uma das mais legais que já vi na série.

Mesmo quem não é familiarizado com esse tipo de jogo mais frenético, que exige tanto dos reflexos quanto do pensamento tático, a recomendação é jogar na dificuldade História, que simplifica muito execução de combos de ataques e já equipa Clive com anéis mágicos que auxiliam nas esquivas e em outras mecânicas Você pode alternar entre as duas dificuldades, e inclusive equipar esses anéis por conta própria nas mais altas, mas eles não permitem que algumas técnicas avançadas sejam executadas.

O jogo oferece também um modo New Game Plus, e conta com duas pequenas expansões DLC, já disponíveis no Xbox Series X/S. Há também um modo arcade, em que as lutas são realmente desafiadoras, com um placar global para medir sua performance diante dos outros jogadores.

Outra mecânica importante é o uso dos Eikons. Ao ganhar o controle de uma dessas invocações enormes, o jogador adquire novas habilidades. Mas o principal ponto é que você pode jogar com o Eikon quando ele é invocado, normalmente em batalhas contra outros monstrões. A sensação é estar jogando uma luta de monstros do Godzilla, destruindo Tóquio em cada troca de sopapos e rajadas de fogo trocadas com o adversário. São sequências meio ‘sobre trilhos’, mas em uma escala épica.

Um último elemento digno de nota é a forma que a campanha é construída ao longo de décadas da vida de Clive. Você acompanha o herói desde sua adolescência até a idade adulta, e isso é sentido também no mundo ao seu redor, que passa por mudanças visuais e narrativas com o avanço do tempo, dando uma sensação de vida e mais peso às suas ações.

Jogar Final Fantasy XVI no Xbox Series X/S

Clive faz o tipo solitário, mas conta com aliados fieis como o lobo Torgal
Clive faz o tipo solitário, mas conta com aliados fieis como o lobo Torgal

Eu já havia jogado Final Fantasy XVI no PlayStation 5, na época do lançamento, e um dos meus maiores elogios ao game em 2023 era o fato dele chegar pronto ao console, sem precisar de grandes patchs e atualizações regulares por meses a fio. É mais do que pode ser dito de muitas outras grandes produções atualmente.

Isso continua valendo no Xbox Series X/S. Final Fantasy XVI é um jogaço, lindo e com sequências impressionantes, uma ótima história, personagens cativantes e uma construção de mundo que dá vontade de explorar muito além do que os limites do jogo permitem. É facilmente um dos jogos mais bonitos visualmente desta geração de consoles.

Até por isso, eu recomendo jogar Final Fantasy XVI no modo Graphics e não no modo Frame Rate. O primeiro vai ter dar todo o esplendor visual do jogo, com resolução 4K, HDR e tudo mais que seu monitor puder oferecer. Normalmente, eu recomendaria o modo Frame Rate por se tratar de um jogo orientado para ação, mas a taxa de quadros sempre vai ficar perto de 60 FPS e a perda na resolução no modo Frame Rate é notável demais. Claro, se seu monitor não vai além dos 1080p, então é melhor optar pelo ganho na taxa de quadros de animação. No final, a escolha é sua.

Jogue com a mente aberta

Para mim, Final Fantasy brilha mais forte quando seus desenvolvedores não se apegam à tradição. A série sempre ousou experimentar com mecânicas e formatos, e meus episódios favoritos são justamente alguns dos mais diferentes: Final Fantasy XII, Final Fantasy Tactics, Final Fantasy XV e agora, Final Fantasy XVI. Assim como todo fã da série, eu também curto Final Fantasy VII e seu remake, mas tenho um lugar especial no coração para os jogos mais criativos, com seus erros e acertos.

Final Fantasy XVI está disponível para PC, PlayStation 5 e agora também para Xbox Series X/S. Jogue com a mente aberta e vai experimentar uma das aventuras mais empolgantes desta geração.

Pablo Raphael produz conteúdo sobre jogos e cultura nerd/geek desde quando isso não era tão legal assim. Fã de RPG de mesa, live games, quadrinhos independentes e cerveja artesanal. Email para contato: [email protected]

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