Death Howl combina Deckbuilder e Soulslike em ótima aventura

Lançado em dezembro de 2025 pela desenvolvedora The Outer Zone e publicado pela 11 bit studios, Death Howl é uma criação surpreendente: um jogo que combina Deckbuilder e Soulslike, em que você controla uma mãe em uma jornada espiritual para resgatar seu filho das garras da morte.

A ambientação me atraiu logo de cara, pois Death Howl se passa no período Neolítico da nossa pré-história, uma época que não é retratada com muita frequência nos jogos eletrônicos. A ação rola em um mapa com visão isométrica, desenhado de forma bem minimalista, e que vai sendo desvendado aos poucos, conforme você avança por cada tela. Ao contrário da maioria dos jogos de construção de baralhos, Death Howl não é um jogo roguelike, e segue uma progressão mais tradicional – uma mudança bem vinda, na minha opinião.

Assista ao trailer de Death Howl:

Ao entrar na área de um inimigo, uma batalha por turnos tem início, com um grid surgindo no chão e você pode escolher a posição inicial da protagonista. O jogador saca cinco cartas em cada turno e tem cinco pontos de mana para ativar suas cartas. Os pontos de mana também são gastos para se mover, o que acrescenta um toque de estratégia a cada rodada. Inimigos mortos e alguns recursos encontrados vasculhando o cenário rendem ingredientes que podem ser usados para produzir novas cartas, adicionadas em diferentes baralhos. Há um número limitado de cartas que cada deck pode conter – é preciso pensar bem na build que você está montando.

Se o elemento de Deckbuilding de Death Howl é claro logo de cara, o mesmo pode ser dito de sua faceta Soulslike: não há como desfazer uma jogada durante a batalha, e os inimigos são implacáveis, mesmo um simples javali pode acabar com seu dia. Você recupera pontos de vida descansando em uma fogueira, mas isso traz de volta todos os inimigos que você derrotou naquela área. Por fim, ao morrer em batalha – e isso vai acontecer bastante! – você deixa para trás os pontos de espírito que acumulou com suas vitórias… e que são necessários para evoluir as habilidades da heroína. É preciso voltar até lá e recuperá-los… e sobreviver à batalha antes de escapar de volta para a segurança da fogueira.

Mistura de Deckbuilder e Soulslike, Death Howl também tem um visual em pixel art incrível
Não espere moleza nas batalhas por turno de Death Howl

Death Howl combina mecânicas de Deckbuilder e Soulslike com maestria. Você nunca fica com a sensação de que o jogo “roubou” e sim, de que poderia ter feito uma jogada diferente, adotado outro movimento… e vai tentar de novo, até aprender, aprimorar sua habilidade como jogador e vencer.

Um ponto que me agradou muito é que, ao contrário de outros Soulslike que preferem manter a narrativa em um mistério enevoado, tornando-se quase subjetiva, a trama de Death Howl é muito bem contada. Há uma dose de enigmas, mas rapidamente você vai entender o que se passa no mundo dos espíritos e se envolver com a busca da mãe enlutada pelo filho perdido.

Explorar o mundinho do jogo é uma das minhas partes favoritas: cada região do mapa tem suas cartas específicas, que são feitas com ingredientes coletados nelas e que funcionam melhor contra os inimigos que habitam aquele espaço. Você pode lutar com seu deck favorito de outra área, mas o jogo pode ficar bastante punitivo se você não abraçar a mudança e passar a jogar com novas cartas. Até por isso, você vai passar um bom tempo ‘grindando’ recursos para montar o baralho ideal para cada fase do jogo, mas vai fazer isso acompanhando uma história emocionante, e curtindo um belo jogo indie que combina de forma inesperadamente boa, mecânicas de Deckbuilder e Soulslike.

Produção da The Outer Zone e publicado pela 11 bit studios, Death Howl está disponível para computador, inclusive no catálogo do PC Game Pass. Eu recebi uma cópia do jogo para review no Steam e joguei no portátil Steam Deck. Muito bem feito, ainda que exigente no ‘grinding’ de suas cartas, Death Howl é mais um jogo que mostra que dá para inovar bastante dentro da fórmula Soulslike.

Pablo Raphael produz conteúdo sobre jogos e cultura nerd/geek desde quando isso não era tão legal assim. Fã de RPG de mesa, live games, quadrinhos independentes e cerveja artesanal. Email para contato: [email protected]

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