The Book of Aaru: Um Roguelite ao estilo Hades no Egito
Um jogo adorado por muitos mas que testa minhas habilidades mais do que eu gostaria é Hades. O famoso roguelike cheio de ação e desafios frenéticos da Supergiant Games me conquistou por sua ambientação na mitologia grega – da qual já deu para notar que sou bastante fã, não é mesmo? – e pelos sistemas de combate velozes e salas cheias de desafios… mas eu não sou muito bom nesse tipo de jogo. O que é uma pena, pois há vários outros games inspirados no seu sucesso e que trazem ambientações que eu também gosto muito, como Curse of the Dead Gods e, mais recentemente, The Book of Aaru, um roguelite ao estilo Hades no Egito.
Produção do estúdio independente Amenti Studio, The Book of Aaru é, basicamente isso: Hades, mas ambientado no universo igualmente fascinante da mitologia egípcia – e com elementos de ficção-científica, um tempero que eu gosto bastante em obras inspiradas em mundos mitológicos (acredite, se tinha algo de muito bom no infame Too Human, era sua mistura de mitologia nórdica com ficção-científica).
The Book of Aaru, que está disponível para PC, é um jogo roguelite de ação com alguns elementos de RPG. Nele, o jogador controla Emily Sands, uma destemida exploradora que desapareceu em 1926 procurando pelo lendário Templo de Osíris. As coisas ficaram bem complicadas para a exploradora, que se vê amaldiçoada e despojada de sua humanidade. Para escapar dessa cilada, Sands vai navegar por corredores repletos de armadilhas artesanais e intrincadas, cada um oferecendo um desafio único que exige habilidades variadas, tempo preciso e estratégias adaptáveis. É possível ir traçando seu caminho por diferentes rotas, umas mais seguras, outras mais perigosas – e que trazem recompensas melhores… ou a morte certa. O visual isométrico e o ritmo intenso da ação não escondem a inspiração em Hades.
O que torna The Book of Aaru mais do que um Hades no Egito é o design caprichado de suas armadilhas. Dá para sentir que os projetistas do Amenti Studio tem um certo prazer em desafiar as habilidades do jogador, sua precisão e reflexos. E que eu não sou assim tão bom com esse tipo de desafio. O fato dos níveis serem criados de forma aleatória me incomoda um pouco, pois dificulda memorizar as armadilhas e sentir que meu aprendizado está se refletindo no meu desempenho no jogo. Mas isso é um problema meu, pessoal, com a natureza dos jogos de ação Roguelike/Roguelite e não é exclusivo do jogo da Amenti.

Minhas primeiras tentativas foram bastante frustrantes, principalmente porque num primeiro momento eu optei por jogar no Steam Deck, e o game ainda não está otimizado para o portátil. Isso resultou em problemas com a interface e o tamanho da tela, mas quando decidi ir para o desktop, a experiência melhorou. Conforme me esforçava, o jogo foi me dando ferramentas para ultrapassar (ou pelo menos encarar melhor) os desafios propostos. Há um sistema de câmera lenta que pode ser usado não só para avançar entre armadilhas, mas como um método destrutivo bem interessante.
De certa forma, tanto quanto um Hades no Egito, The Book of Aaru bebe na fonte de Curse of the Dead Gods – e o resultado final é um jogo com identidade própria, muito desafiador, que é ótimo para os adeptos desse gênero, que acredito, não são poucos jogadores. Pode não ser ideal para mim, mas reconheço que foi bem divertido lutar para avançar e progredir, principalmente para desbloquear habilidades-meta entre cada partida, e o que mais me motivou para continuar foi a ambientação egípcio-futurista.
Eu recebi um código para jogar The Book of Aaru, mas você pode adquirir o game no Steam.


