Arc Raiders é um ótimo jogo de tiro de extração

Estou jogando Arc Raiders regularmente desde o lançamento no final de outubro e te garanto: continua tão divertido e intenso algumas dezenas de partidas depois quanto na primeira vez em que explorei suas ruínas em busca de ferro-velho, fugindo de drones, robôs aracnídeos e de outros jogadores de olho no meu precioso saque. Essa capacidade de se manter empolgante e interessante, para mim, é a principal marca de um ótimo jogo de tiro de extração.

Um jogo de tiro de extração, em linhas gerais, segue uma mecânica central básica: você entra em uma área, coleta recursos ou cumpre algum objetivo, e precisa sair de lá com vida, antes que o tempo se esgote. É preciso tomar cuidado tanto com inimigos controlados pela máquina, quanto com outros jogadores, que podem ou não atacá-lo e tomar tudo o que você estiver carregando. É um gênero que combina elementos de sobrevivência e battle royale, e conquistou uma base considerável de fãs, principalmente graças ao sucesso Escape from Tarkov. Desenvolvedores ao redor do mundo tentam criar suas próprias variações dele – seja com modalidades dentro de outros games, como a Zona Cega de The Division e modos de extração em jogos como Battlefield 2042 e Call of Duty: Warzone, ou com jogos inteiros que giram ao redor dessa mecânica de risco e recompensa.

Arc Raiders se encaixa na segunda categoria. A criação da Embark Studios, produtora formada por veteranos da franquia Battlefield e que também lançou o battle royale The Finals, é um ótimo jogo de tiro de extração, e não por acaso, vem batendo recordes de jogadores simultâneos no Steam. Assista ao trailer de lançamento:

Arc Raiders se passa num futuro não tão distante, em que uma série de mudanças climáticas extremas levaram a humanidade para o subterrâneo. Pouco depois, máquinas inteligentes (e malignas) desceram dos céus e tomaram conta da superfície. Os jogadores são saqueadores destemidos que sobem de Speranza, uma vibrante colônia nas profundezas, em busca de recursos do lado de cima. Muito do que aconteceu na Terra é um mistério ainda por ser desvendado. A história do jogo é contada de forma tênue, em conversas curtas com os vendedores de Speranza, através das missões e descrições dos mapas do jogo, e em um códice no menu do personagem – que certamente é menos visitado do que as abas de habilidades, personalização e desafios. Mas se você curte uma boa trama de ficção-científica e ‘world building’, recomendo a leitura dos verbetes do códice. Está tudo disponível em português do Brasil.

A ambientação tem um que de Fallout ou, na minha opinião, daquele Borderlands realista que nunca aconteceu. A influência do artista sueco Simon Stalenhag, de Tales from the Loop, é visível em suas máquinas e na arquitetura futurista lado a lado com prédios antigos em ruínas e carros abandonados. É um apocalipse recente e um futuro não tão distante com o qual o jogador consegue se identificar – e que acaba fazendo o fantástico saltar aos olhos nessa paisagem familiar. Os trajes dos raiders seguem uma estética de pilotos de avião, cowboys modernos e astronautas, como em um faroeste futurista – acho que é daí que me vem a lembrança dos mundos de Borderlands.

Marca registrada de um jogo de tiro de extração, cada encontro com outro jogador em Arc Raiders pode ter um desfecho explosivo ou amigável
As interações com outros jogadores constroem muito da narrativa de Arc Raiders

A jogabilidade é sempre tensa, com você subindo para a superfície sozinho ou com até outros dois jogadores, para explorar um dos quatro mapas do jogo por no máximo 30 minutos. Há missões e objetivos secundários, como a busca por itens para aprimorar as estações da sua oficina ou objetos desejados pelo mascote Sucatinho (um galo pra lá de mimado, na minha opinião) que orientam sua busca. Aliás, até as Conquistas e Troféus do game são muito bem pensadas, desenhadas para incentivar a exploração, o uso das mecânicas de jogo e os diferentes estilos de se jogar Arc Raiders – ainda que na primeira semana, muitas dessas conquistas não fossem liberadas quando se cumpriam os objetivos, mas isso foi resolvido com uma atualização.

É nestas possibilidades de jogar de formas diferentes que Arc Raiders brilha e se revela um ótimo jogo de tiro de extração. Com uma eficiente engenharia de som (você não esperaria menos de um game feito por ex-devs de Battlefield), uma roda de emotes realmente útil e o uso de microfone de proximidade, o jogo permite muitas interações sociais entre os jogadores dentro de um mapa. Você não precisa sair lutando com todo mundo que aparece pela frente. Acredite: muitos jogadores apenas querem seguir seu caminho em busca de frutas, coleiras ou camas de gato e outras tralhas para seus mestres galináceos. Ou pode se aliar aos recém-encontrados colegas para derrubar alguns drones Arcs ou simplesmente, tentar extrair em segurança com seu saque.

É claro, sempre vai ter alguém disposto a abrir fogo para roubar os outros jogadores. É bom avaliar cada encontro com cautela. Mas essas interações são o que fazem de Arc Raiders um ótimo jogo de tiro de extração, com uma comunidade que ainda está desenvolvendo suas relações sociais e uma etiqueta própria. Algo que colabora para a experiência é que ao jogar sozinho, você vai sempre ser mandado para servidores com outros raiders solo. Ao jogar em grupo, vai encontrar outros trios de jogadores.

Além dos quatro mapas padrão, bastante amplos, há variações noturnas mais perigosas – e com tesouros mais valiosos – e eventos como um bunker que surge ocasionalmente em um deles, ou tempestades eletromagnéticas para aumentar o desafio. Há um quinto mapa, o Campo de Treinamento, ótimo para você aprender a manejar as armas e equipamentos do jogo em um ambiente seguro. E em dezembro, Arc Raiders receberá uma nova área, Stella Montis, que já está visível no mapa do jogo, mas inacessível.

Eu recebi uma cópia de Arc Raiders de Xbox Series X/S para review, cortesia da Embark Studios. Estou jogando no Series X, e tem sido uma ótima experiência. Também tive a oportunidade de jogar algumas partidas no PC, inclusive no Steam Deck, onde precisei ativar o Proton Experimental para iniciar o game – mas depois disso, o jogo rodou surpreendentemente bem no portátil da Valve.

Com suporte para partidas entre plataformas, Arc Raiders está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S.

Pablo Raphael produz conteúdo sobre jogos e cultura nerd/geek desde quando isso não era tão legal assim. Fã de RPG de mesa, live games, quadrinhos independentes e cerveja artesanal. Email para contato: [email protected]

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