Grind Survivors reviveu meu amor pelos bullet heavens

Faz tempo que eu não falo de jogos bullet heavens, aquela mistura de roguelike com shooter estabelecida por Vampire Survivors e que nos últimos anos, se tornou uma febre – e um dos meus gêneros favoritos! – mas que parecia ter dado uma arrefecida. Bem, nas últimas semanas, tenho jogado alguns novos jogos do gênero, e um deles me prendeu a atenção pela jogabilidade direta, brutal e muito divertida: ouso dizer que Grind Survivors reacendeu minha paixão pelos bullet heavens.

O jogo da Pushka Studios fez isso com um visual inspirado em histórias em quadrinhos, um sistema de criação e aprimoramento de equipamentos, e partidas com reviravoltas, batalhas de chefe e dois sistemas de controle diferentes: o auto-shooter tradicional dos bullet heavens e a opção de controlar o tiroteio como em um dual stick shooter das antigas. Ambos funcionam bem, mas eu prefiro a fórmula automática, em que você precisa se preocupar mais com a sua posição e o controle de área, e com quais vantagens está adquirindo conforme a partida se desenrola.

Assista ao trailer de Grind Survivors:

Em Grind Survivors, os jogadores são caçadores de demônios enfrentando hordas infinitas vindas do inferno. O jogo tem três mundos distintos, quatro personagens desbloqueáveis e várias armas e vantagens para equipar. A variedade de mapas e de personagens são menores do que geralmente se encontra nos bullet heavens e espero que a Pushka adicione novas classes e mapas no futuro próximo, especialmente pela robustez de suas mecânicas, que estimulam demais você a voltar para novas partidas.

Um diferencial de Grind Survivors é a Forja, onde você aprimora seus equipamentos entre as partidas. Você tem oito tipos de armas diferentes e vai encontrando armas ao longo da partida, que podem ser aprimoradas ou recicladas nos intervalos. O sistema de criação de equipamentos podia muito bem figurar em um RPG de ação e vai consumir um bom tempo dos jogadores mais dedicados. As armas não são exatamente equilibradas, e ao adquirir a Teslagun, você provavelmente vai focar nela e deixar as outras de lado, especialmente a pobre Sawgun, que não acerta longe e nem controla multidões de perto.

Durante as batalhas com chefes, a arena é reduzida, mas a ação fica ainda mais intensa do que em outros bullet heavens
Durante as batalhas com chefes, a arena é reduzida, mas a ação fica ainda mais intensa do que em outros bullet heavens

O quarteto de protagonistas, todos caçadores de demônios malvadões que poderiam estar em um jogo de Warhammer 40K, dividem as mesmas árvores de habilidades, que você evolui com as cinzas que coleta em cada partida. O que diferencia mais um do outro são suas habilidades ativas. Fico na torcida para que a Pushka continue evoluindo seu jogo e inclua novos personagens jogáveis – e mais variados – em futuras atualizações ou em uma expansão.

Progredir é uma tarefa exigente em Grind Survivors e acho que é daí que o jogo ganhou seu título: você precisa superar o mapa inicial cinco vezes, em dificuldades crescentes, antes de avançar para o segundo mapa, por exemplo. É um jogo que força você a repetir partidas várias vezes para progredir, em um ‘grind’ constante.

Isso pode ser meio desanimador para alguns jogadores, mas como as mecânicas de personalização, vantagens e equipamento são tão bem feitas, o jogo clicou comigo de um jeito muito forte e rapidamente me vi passando horas em suas partidas frenéticas. Poderia ter mais variedade de cenários, chefes alternativos em cada rodada? Com certeza. Funciona do jeito que está? Também. Tudo depende do quanto você curte o loop de jogabilidade central dos bullet heavens.

Eu joguei Grind Survivors no Xbox Series X, com uma key gentilmente cedida pela Pushka Studios, e o jogo rodou lisinho, sem quedas de frames mesmo nos momentos de ação mais intensa. Tecnicamente, o jogo entrega uma apresentação muito caprichada, tanto visualmente quanto na parte sonora. Grind Survivors também está disponível para PC, via Steam.

Pablo Raphael produz conteúdo sobre jogos e cultura nerd/geek desde quando isso não era tão legal assim. Fã de RPG de mesa, live games, quadrinhos independentes e cerveja artesanal. Email para contato: [email protected]

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