Saros é o melhor jogo da fase atual da Housemarque no PS5
Na época do lançamento do PlayStation 5, um dos jogos que mais me interessou foi Returnal, produção da Housemarque, um dos meus estúdios favoritos, famoso por seus jogos de ‘bullet hell’ ao estilo arcade, como Super Stardust, mas com ares de grande produção. Joguei bastante, mas reconheço que a fórmula roguelike me impediu de apreciar o jogo como eu gostaria. Em Saros, a Housemarque aprimorou essa receita e conseguiu me manter interessado, principalmente pela adição de uma narrativa mais clara e cheia de elementos que combinam ficção científica e mitologia.
No jogo, uma missão espacial parte para o planeta Carcosa para explorar um recurso super valioso, o Lucenite, mas acaba se deparando com perigos enormes e além da compreensão humana. É nesse contexto que o jogador assume o controle de Arjun, capitão da missão que precisa lutar para preservar sua sanidade, encontrar um amor perdido e tentar sobreviver. Saros é inspirado diretamente em O Rei de Amarelo, série de romances de Robert W. Chambers, que também bebe do terror lovecraftiano. Recomendo bastante a leitura!
A história não é contada de forma linear e deixa lacunas para o jogador mais atento ter no que pensar após suas cerca de 20 horas – você vai passar mais umas 30 horas jogando para conferir finais secretos, buscar melhorias, colecionáveis e chegar aos 100% do jogo, dependendo da sua habilidade e interesse no jogo. Ainda assim, conseguiu manter minha atenção bem mais do que a de Returnal.
Saros brilha na ação
O ponto mais forte de Saros é a jogabilidade, com ação frenética e cheia de tiroteios, disparos inimigos em padrões malucos que sempre desafiam os reflexos e habilidade do jogador – marca registada da Housemarque e que fez uma transição para os cenários tridimensionais em terceira pessoa de forma magistral lá em Returnal e ficou ainda melhor nesse jogo. Assista ao trailer de gameplay:
A Housemarque soube refinar sua fórmula em Saros, para tornar o aprendizado mais claro e a experiência como um todo mais satisfatória para os jogadores. A adição de um escudo de força, que absorve o dano de alguns projéteis para abastecer suas armas mais poderosas ampliou as opções de combate e estratégias para o jogador, com decisões tomadas a cada momento durante as batalhas acrescentando camadas táticas e indo além dos reflexos rápidos para garantir a vitória. Também há um forte componente de exploração, com rotas alternativas para explorar, trazendo novos perigos e recompensas valiosas.
Arjun é um protagonista carismático e muito bom de se controlar, capaz de saltos e esquivas precisas no último instante. A sensação de disparar suas armas é muito satisfatória e você não se sente frágil ou impotente contra todos os inimigos – claro, vai precisar de armas mais potentes e acabar escolhendo as suas favoritas. Não há uma única receita para vencer e o jogo respeita a habilidade do jogador.
Elementos roguelike

Entre uma sessão e outra, você vai se concentrar na Armor Matrix, que é onde os elementos roguelike se fazem mais presentes em Saros. É nessa enorme árvore de habilidades que você aprimora as capacidades de Arjun, gastando o Lucenite e o Halcyon coletados para garantir melhorias permanentes, e assim, desenvolver ‘builds’ adequadas ao seu estilo de jogo. Não são pequenas melhorias incrementais, você vai sentir rapidamente a diferença na jogabilidade ao destravar algumas melhorias para o herói.
As sessões de jogo em Saros são mais rápidas do que as de Returnal e isso também ajuda a manter o jogador envolvido na ação e disposto à voltar para mais uma ‘run’ mesmo depois de ser abatido pelos inimigos. Você pode inclusive se teleportar para pontos específicos dos mapas, à custa de ficar um pouco menos poderoso, mas com a vantagem de não precisar encarar várias vezes os mesmos chefões. Escolhas assim tornam Saros agradável para diferentes tipos de jogadores, sem prejudicar a experiência dos fãs de jogos roguelike que podem seguir toda a rota desde o começo em cada partida.
Saros é um excelente jogo, com uma ambientação criativa e intrigante e jogabilidade afiada. Recomendo muito tanto para quem já gostava de Returnal quanto para quem gostaria de experimentar os jogos dessa fase atual da Housemarque, mas tem receio de se frustrar com o componente roguelike. Para mim, é o melhor jogo da fase atual da produtora finlandesa, que segue entregando as produções mais experimentais do PS5.
Saros está disponível para PlayStation 5, totalmente localizado (dublagem, legendas e menus) em português do Brasil.


