Edgar Allan Poe’s Interactive Horror é aventura point and click de arrepiar

Publicado originalmente em 1995 com o título The Dark Eye, Edgar Allan Poe’s Interactive Horror é um adventure de apontar e clicar com uma temática sombria: adaptar para o formato de videogame os contos tenebrosos do autor vitoriano.

O jogador navega por cenas em primeira pessoa, animadas com a técnica stop-motion e narradas pelo escritor beatnick norte americano William S. Burroughs, que dá um peso adicional à narrativa com sua interpretação do universo sinistro de Edgar Allan Poe, enquanto resolve quebra-cabeças bizarros e experimenta a loucura tanto pelos olhos dos assassinos quanto de sua vítimas. Assista ao trailer do game:

Para este relançamento feito em parceria pela Inscape e a Publisher GMedia, o jogo teve o nome adaptado para Edgar Allan Poe’s Interactive Horror: 1995 Edition, por questões envolvendo a marca The Dark Eye (que é o mesmo título de uma linha de RPGs alemães, basicamente o Dungeons & Dragons germânico).

Com um visual perturbador que faz uso tanto de stop motion quanto de colagens em vídeo para conjurar os cenários de suas histórias, o game da Inscape revive alguns dos contos mais macabros de Poe: O Coração Revelador, O Barril de Amontillado e Berenice, explorando temas como a morte, loucura, obsessão e culpa de formas densas e imaginativas. Não são histórias para todo tipo de leitor, e de certa forma, Edgar Allan Poe’s Interactive Horror não se propõe a ser um jogo para todos.

Esse relançamento do adventure cult, que preserva o formato clássico do jogo lançado em 1995 em CD-ROM, com o formato de tela, a interface multimídia e uma estética bastante crua para os padrões atuais, não tenta agradar a todos nem suavizar as narrativas vitorianas que retrata em suas histórias. É uma experiência para quem curte adventures mas também gosta de experimentar algo diferente, criativo e um tanto nostálgico, de uma forma perturbadora.

Edgar Allan Poe's Interactive Horror usa técnicas de colagem e de stop-motion para criar visuais perturbadores.
Edgar Allan Poe’s Interactive Horror usa técnicas de colagem e de stop-motion para criar visuais perturbadores.

Eu joguei Edgar Allan Poe’s Interactive Horror no PC, com uma key gentilmente enviada pela Publisher GMedia e te aviso: não espere por melhorias de qualidade de vida típicas dos remasters e mesmo relançamentos recentes. Este é um relançamento mais ‘raiz’ que traz esse clássico cult do horror psicológico para os computadores atuais, mas que não vai além disso. É a experiência exatamente como a de quem jogou nos anos 1990.

Se isso é bom ou ruim, depende de cada jogador. Eu particularmente gostei de reviver não só a estética da interface multimídia, mas também as limitações técnicas que eram parte do game design daquele período, uma época em que adventures de apontar e clicar eram meus jogos favoritos – OK, talvez ainda seja. Mas certamente pode ser meio truncado e estranho para quem está acostumado com os adventures atuais de uma Telltale Games, por exemplo.

Edgar Allan Poe’s Interactive Horror: 1995 Edition está disponível para PC.

Pablo Raphael produz conteúdo sobre jogos e cultura nerd/geek desde quando isso não era tão legal assim. Fã de RPG de mesa, live games, quadrinhos independentes e cerveja artesanal. Email para contato: [email protected]

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