Devil Jam é mistura de Vampire Survivors e Hades com uma dose de rock’n’roll

Um dos jogos do gênero bullet heaven que venho jogando recentemente, ao lado de Grind Survivors, é Devil Jam, lançamento recente da produtora Rogueside. Descrito pelo estúdio independente como “um roguelike de sobrevivência ambientado nas profundezas do Inferno”, o jogo é bem divertido, tanto por sua combinação interessante de elementos de sucesso de jogos como Vampire Survivors e Hades, quanto pela ambientação inspirada no universo do rock’n’roll.

Esse auto-shooter está disponível para PC e consoles. Eu joguei no Xbox Series X, com um código gentilmente cedido pela Rogueside. Logo de cara, me chamou a atenção o visual com um “que” de desenho animado, bem colorido e com personagens carismáticos, que contrasta com os estágios escuros e cavernosos do Inferno. Eu até esperava algo mais sinistro e heavy metal, mas acho que o estilo ‘cartoon’ de sábado de manhã dá um tom leve para o jogo e acaba sendo menos enjoativo. Os personagens são bem animados e desenhados à mão, em um estilo muito agradável, assim como os monstros. Seria legal poder aproximar um pouco a câmera durante as partidas, para apreciar melhor o traço.

Assista ao trailer de Devil Jam:

A trama é clássica das histórias de rock: um guitarrista assina um pacto amaldiçoado com o Diabo e é arrastado para o submundo, onde é forçado a fazer a apresentação da sua vida após a morte. O hub do jogo é inspirado em backstages de shows, com o Diabo atuando como um empresário musical ambicioso, e outros personagens aparecendo nos camarins e em lojinhas típicas de shows e festivais.

Suas armas são instrumentos musicais possuídos e os poderes do personagem são riffs que ele aprende e usa para detonar os inimigos com suas notas, arpejos e o poder do rock! Você começa cada partida com um inventário de 12 espaços vazio para equipar os riffs que vai encontrando enquanto derrota hordas demoníacas. O mais legal é que pode posicionar os poderes nesse inventário como quiser, e isso faz diferença, com um arranjo se encaixando nos outros e criando uma enorme variedade de combinações dos poderes e bônus oferecidos.

O sistema de inventário com múltiplas combinações faz Devil Jam ir além de uma mera mistura de Vampire Survivors e Hades
Tanto os protagonistas quanto os inimigos são desenhados à mão e muito bem animados.

Assim como em Hades, há patronos que concedem os diferentes poderes para nosso herói guitarrista maldito. Nesse caso, seus patronos são os Sete Pecados Capitais e conforme você foca em um ou outro deles, ou compra poderes na lojinha do hub, vai tornando seu personagem melhor – podendo adaptá-lo para diferentes estilos de jogo, conforme o que achar que vai funcionar melhor para você… naquela partida. As novas habilidades só duram até você ser derrotado, com exceção dos poderes adquiridos na lojinha. É a mesma logica dos aprimoramentos de Vampire Survivors e outros roguelites. Assim, a repetição das fases e o ‘grinding’ são elementos essenciais da jogabilidade de Devil Jam.

Com seu estilo artístico muito caprichado, temática rockeira e principalmente, o sistema de inventário de poderes, Devil Jam faz uma mistura de Vampire Survivors e Hades ser mais do que um apanhado de boas ideias ou uma coletânea de sucessos, e consegue apresentar personalidade própria o bastante para prender o interesse do jogador e faze-lo voltar para mais e mais partidas, que é o que um jogo desse tipo precisa fazer de melhor.

Devil Jam é um roguelite de sobrevivência com visão top down que mistura Vampire Survivors e Hades de forma bem divertida. O jogo está disponível para PC, Mac, PlayStation 5, Switch e Xbox Series X e S.

Pablo Raphael produz conteúdo sobre jogos e cultura nerd/geek desde quando isso não era tão legal assim. Fã de RPG de mesa, live games, quadrinhos independentes e cerveja artesanal. Email para contato: [email protected]

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